Associação Psiquiátrica da Bahia repudia posicionamento de secretário sobre gestão da saúde mental

Postada em 12 de maio de 2017 as 11:35
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A Associação Psiquiátrica da Bahia publicou nesta quinta-feira (11), uma nota de repúdio à fala do secretário de Saúde do Estado, Fábio Villas Boas exibida na quarta-feira, em entrevista concedida a uma rádio de Salvador sobre o planejamento do governo em relação aos cuidados da saúde mental.

Confira na íntegra, a nota:

Salvador, 11 de maio de 2017.

A Associação Psiquiátrica da Bahia vem, por meio desta, manifestar veemente repúdio à fala do Secretário Estadual de Saúde Fabio Villas Boas em entrevista à Rádio Metrópole, veiculada na tarde de 10 de maio de 2017.

Não existe lei Antimanicomial. Existe a Lei 10.216, protetora das amplas necessidades dos portadores de transtornos mentais, que o Governo do Estado da Bahia, baseado em portarias espúrias e inconstitucionais, ignora e não coloca em prática.

A Lei 10.216 determina cuidado integral e prevê internação em hospitais psiquiátricos para casos precisos. CAPS não são o lugar adequado para o atendimento de surtos graves, quando há risco da integridade do paciente ou de terceiros, sobretudo de vida. Inclusive, os CAPS III não são locais de internamento mas de acolhimento, sem os equipamentos e equipe necessários ao atendimento das crises graves. Também não se pode ir contra a individualidade do paciente ou contra o processo de controle medicamentoso da doença, estabelecendo prazos fisiopatologicamente irreais de internação.

Afirmar que os CAPS podem realizar internamentos é negar o papel salvador de vidas dos hospitais especializados. É importante lembrar que as mortes acarretadas pelo fechamento destes hospitais serão de exclusiva responsabilidade do Governo do Estado e do Secretário de Saúde Fábio Villas Boas, frente às suas equivocadas escolhas na gestão da Saúde Mental.

A Associação Psiquiátrica da Bahia aceitou o convite para participar da Comissão Interinstitucional de Planejamento das Ações de Desinstitucionalização com a intenção de favorecer uma discussão técnica, baseada em fatos cientificamente comprovados e com viabilidade econômica, privilegiando o atendimento dos portadores de transtornos mentais baianos segundo a diversidade da forma de adoecer e em todos os estágios do adoecimento mental.
Tal comissão, no entanto, tem rechaçado os apontamentos técnicos realizados pela Associação Psiquiátrica da Bahia.

A Associação Psiquiátrica da Bahia não é e não será conivente com um planejamento que evolui de forma irresponsável e prevê fechamento de leitos em hospitais psiquiátricos, de ambulatórios especializados e que compromete a rede de distribuição de medicamentos para a saúde mental.

A já referida Comissão tem se mostrado surda para acolher as as reais necessidades da população e, por isso, Associação Psiquiátrica da Bahia procurou se expressar em outros fóruns. Já estimulou o debate em Audiência Pública na Câmara dos Vereadores de Salvador e na Assembleia Legislativa da Bahia, assim como também acionou o Ministério Público Estadual e Federal apontando o grave erro da gestão.

Estaremos sempre dispostos a prestar auxílio técnico quando convidados pela SESAB, que não tem nenhum médico psiquiatra em seu quadro, porém jamais seremos cúmplices de nenhuma resolução que prejudique a assistência aos portadores de transtornos mentais.

Atenciosamente,

Associação Psiquiátrica da Bahia.



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