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  • Dica cultural: de corações, mentes e medicina

    Postada em 27 de abril de 2017 as 10:12
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    25 de abril marca o aniversário de Mario Pedrosa, intelectual sem parelho ou igual no século atual. Uma de suas searas mais fecundas foi a sua militância como defensor de ideias e ideais em coluna semanal de jornal (sempre irradiada desde o Rio de Janeiro, capital federal na maior parte do tempo de Mario cronista) na qual ele não só foi o crítico de arte que alçou boa parte dos artistas modernos do Brasil e foi o único ‘defensor público’ da ideia da criação de Brasília (que na semana passada completou 57 anos). No caso de Nise da Silveira, formada na Bahia, ele deu constância e visibilidade ao mostrar seu trabalho como pessoa que começa a mudar a visão do que seja (aspas) doença mental, o fazendo, muito especialmente, pelo engajamento de pacientes internos com a pintura.

    Como já avisei, Nise está homenageada na forma de uma caricatura estas semanas na porta de entrada da sede do SINDIMED, ao lado de Nita Costa. Posto o que foi posto, não é de se estranhar que – justo pela Coleção Loucura & Civilização, da Fiocruz – tenha sido lançado um livro exatamente sobre a estreita ligação dos dois: ‘O Antídoto do Mal: Crítica de Arte e Loucura na Modernidade Brasileira’, de Gustavo Henrique Dionisio, o qual apresentei – ainda no ano de 2012 – em um evento meu na capital de São Paulo, estado aonde mora nosso pesquisador. Segue a apresentação da obra pela própria Fiocruz.

    Voltando ao jornalismo, recentes trabalhos têm mostrado que ainda se pode tomar o tempo do leitor (aprendi antes dos tempos da faculdade que este é o maior tesouro de um cronista) com um ‘estado de arte’ que corresponda ao ‘interesse’ de ampliar os horizontes (dos) públicos.

    Começo recomendando a todos a leitura de entrevista de nosso colega do Sindimed, Ney Sá, na atual edição da revista Luta Médica, com a doutora Miriam Gorender, que pontuo – especialmente – pela revelação do alto índice e pessoas que vão até a última etapa da dissolução mental: o suicídio

    O oposto desta atitude pode ser colocado deste modo: quem ou o que dá autoridade moral a um editor de jornal de escolher não publicar o tema ‘O Brasil tem maior taxa de transtorno de ansiedade do mundo’, como ficou revelado a 2 meses, em fato que pouco ou nada foi ventilado na Bahia.

    Voltando aos bons exemplos, uma revista recente da ABRASCO, que primeiramente me chamou a atenção pela capa, a ‘Ensaios & Diálogos em Saúde Coletiva’ de número 3, desenvolve temas propostos  pelo nosso Ney no artigo ‘de que modo adotar a prevenção do suicídio como causa e ainda como pesquisa’, disponível em PDF.

    Partindo do suposto que não há médico formado que não saiba mergulhar na literatura em inglês, sugiro a todos que desfrutem deste artigo publicado na semana passada pelo The Independent (alguém sabe o toque mágico que dá a Londres ser a sede dos dois melhores jornais do planeta?). Nada na matéria anima, num bem amarrado e desenvolvido tema que mostra como estão sendo des/tratados os seres humanos de quem se diz serem ‘doentes mentais’ no Reino Unido e nos Estados Unidos. Estarrecedor, mas de leitura necessária:

    A minha pauta já estava delineada quando uma matéria da Caros Amigos pulou sob meus olhos, pedindo para ser incluída nas minhas sugestões de leitura neste fim de semana tão alongado. Creio que assombre a alguns a afirmação de que ‘A máquina de fazer dinheiro dos laboratórios farmacêuticos está baseada nas informações falsas, em subornos e propinas que se alastram em todos os setores médicos.’ No mínimo, ali se traz boas inquietações (como se sabe, são as inquietações que fazem o mundo avançar).
    As boas novas chegam, também

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    Primeiro, de uma entidade irmã, a ABM, que sedia no dia 5 próximo o evento com o doutor Antonio Pedreira ilustrado no flyer acima, que pode trazer mais de uma luz sobre os temas tratados hoje. Espero poder estar presente.

    A brilhante escultora Camille Claudel finalmente tem direito a um museu próprio, perto de Paris, como nos informa uma matéria em português da agência estatal de notícias alemã, a Deutsche Welle.

    A trint’anos, se eu escrevesse para médicos, eu diria para se incluir a visitação ao museu em uma próxima viagem à Europa. Mas bem sabemos que não anda tão fácil fazer escolhas de viagem tão enriquecedoras. Mas o gancho vale: para quem ainda não viu e se interessa por este limiar entre genialidade e dor, sempre vai valer a pena indicar o filme ‘Camille Claudel, 1915′, no qual Juliette Binoche nos traz uma atuação tão brilhante e pungente que nos faz ter algum medinho do tal ‘dirigismo’ que o cinema pode trazer. Medinho a parte, a decência humana e o relato de época sobre como eram vistas mentes brilhantes como a dela merecem tempo espaço e algum modo de ver, sim.

    Nona Arte

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    Nos quadrinhos, a interface que me ocorre como melhor é a novela gráfica ‘Ardalen’, do genial galego Miguelanxo Prado. Aqui,  o Sidney Gusman – publisher de algumas excelentes obras recentes de autores brasileiros da Nona Arte – traz alentados motivos para que se leia ‘Ardalen’.

    Nem na resenha, nem aqui em meu texto, enuncia-se a antológica forma como Prado trata da fronteira entre o que  ainda se chama delírio e a antessala médica, um momento magistral do tomo. A obra encontra-se à venda, na edição portuguesa, sim, em Salvador, nem que seja por encomenda em uma das lojas de redes de vendas de livros, que foi aonde eu repassei a leitura da obra na semana passada.

    Ora, direis: mas Marko, você não falou da dispersão mental no mundo atual de zapizápis e coisas que tais, que complementam este quadro, como revelado nesta nota ‘fúnebre’ de 2015 do Correio Braziliense. Certo, sim, é verdade, mas pretendo retomar esse tema com tons e dicas, digamos, positivos em outra edição desta coluna.

    Texto e pesquisa de Marko Ajdaric.
    https://www.facebook.com/marko.ajdaric.79

    Material exclusivo do Sindicato dos Médicos da Bahia. Não se autorizam cópias, no todo ou em parte.

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